Sabemos que o ácido fólico é essencial para a prevenção de má-formação fetal e aborto de primeiro trimestre. A ingestão dessa vitamina diminui em até 70% as chances de anomalias no tubo neural.  

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a quantidade diária recomendada de ácido fólico é de 0,4 mg dia. No Brasil são raros os médicos que seguem essa recomendação. Mulheres que desejam engravidar e gestantes em sua maioria, não fazem ideia da posologia adequada a ser utilizada. Voltam para casa orientadas  a consumirem 5 mg diárias de ácido fólico até as 12 semanas de gestação. Essa dosagem é 11 vezes maior do que a  considerada ideal e segura pela OMS.

Sobrepeso e Diabetes ligados a doses excessivas de ácido fólico

Um estudo publicado no Journal of Endocrinology apresentou dados interessantes. O Estudo foi realizado com ratos e revelou novas informações.

Os animais que receberam doses até 20 vezes maiores que a dose segura durante os períodos de acasalamento, gravidez e lactação, apresentaram atraso no desenvolvimento embrionário e retardo no crescimento fetal. Os filhotes gerados nessas condições,  em sua idade adulta, apresentaram resistência a insulina, sobrepeso, deficiência de adiponectina (hormônio que protege contra diabetes e obesidade) e comportamento alimentar anormal ou compulsivo. Esses sintomas foram notados em sua maioria nos animais do sexo feminino.

Já os animais que receberam doses adequadas, tiveram bebês que evoluíram saudavelmente sem problemas em sua fase adulta.

A professora Elisa Keating, principal autora do estudo, ressalta a necessidade urgente de mais estudos sobre o impacto da superdosagem de ácido fólico nos seres humanos.

Ácido fólico e Asma

Estudo recente publicado na Farmacoepidemiologia and Drug Safet y expões a ligação entre a superdosagem  e asma em crianças.

Os pesquisadores descobriram que 2,9% das 39.602 gestantes que foram avaliadas, receberam doses elevadas (5mg) dessa vitamina. Posteriormente a maioria das crianças dessas mulheres, precisaram de medicação para o tratamento de asma.

Com base nesses dados, os pesquisadores sugerem que altas doses de ácido fólico durante a gravidez aumenta o risco de asma.

Ácido Fólico e Câncer

O Presidente da Comissão de Perinatologia da Febrasgo, o médico Eduardo Fonseca também se pronunciou a respeito da dosagem de ácido fólico. Ele explica que alguns estudos demonstram que o uso prologando com superdosagem (5mg) pode estar associado ao câncer de mama.

O Pesquisador canadense Young-In Kim, que realizou estudo com camundongos, chegou a conclusões preocupantes. Os filhotes das mães que receberam superdosagem de ácido fólico se mostraram mais propensos a desenvolver tumores.

Os pesquisadores não souberam esclarecer porque exatamente isso ocorre, mas sugerem que o ácido fólico esteja alterando a estrutura do DNA,diminuindo a ação de genes que com as doses seguras diminuiriam o risco  de câncer.

E essa discussão vai além. Um artigo na Journal of the American Medical Association entre outros pontos, mostrou que o uso de ácido fólico em portadores de câncer, além de não trazer benefícios, pode ainda promover o crescimento das células cancerígenas.

Superdosagem e o impacto na saúde fetal

Dr Eduardo da Fonseca também alerta  que a superdosagem tem influência negativa na saúde fetal. Ressalta que os bebês podem nascer com peso abaixo do normal entre outras coisas.“Já existem estudos que associam altas doses dessa vitamina com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor da criança”, diz.

O professor da UFMG Antonio Carlos Vieira Cabral, orienta que a dose de 5 mg não é para ser diária. Ainda que indicada e  recomendada por médicos e profissionais da saúde, não é a atitude mais acertada. Essa dose é indicada apenas para o tratamento de anemia. Administrada em  gestantes pode prejudicar o feto e seu  neurodesenvolvimento ou até aumentar as chances de má-formação. Antonio Carlos alerta ainda que o excesso de vitaminas é tão prejudicial quanto a sua falta.

Cabral esclarece que o uso do ácido fólico  pode ser estendido até o final da gravidez desde que em dosagem segura. “A Relação Nacional dos Medicamentos (Rename) determina que o medicamento esteja disponível em gotas na rede pública de saúde. No entanto a dosagem é  de 0,2mg/ml – quantidade que seria adequada para o uso das gestantes.

Cabral diz que o uso de 04 mg é viável e seguro durante a gestação e informa que no segundo e terceiro trimestre a ação do ácido fólico visa outras funções. Ele atua na maturação e formação do cérebro que perdura até o fim da gravidez. Alerta ainda que o risco de comprometimento dessas estruturas existe ao longo das 40 semanas de gestação. Se usado durante todo a gestação, a vitamina cumprirá toda sua finalidade. Atuará tanto na prevenção contra anomalias  como no auxílio da maturação do neurodesenvolvimento.

Ácido fólico e o risco de autismo

Em publicação recente, o globo e a revista Veja, alertaram para o risco dobrado de autismo associado a superdosagem de ácido fólico.

De acordo com um estudo  realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, apresentado  durante o Encontro Internacional para Pesquisa sobre Autismo de 2016, em Baltimore”. Quando utilizado em dosagem segura, a vitamina reduz em 40% o risco de autismo, já em doses elevadas, duplica a possibilidade.

Quem deve tomar doses maiores de ácido fólico

Em 1992, o Serviço de Saúde Pública Americano divulgou um protocolo. Determinou que Mulheres em categoria de risco fossem orientadas a utilizar uma dose particular.  Essa dose deve ser 10 vezes maior que a indicada normalmente. Nesses casos a posologia indica é de 4,0 mg diárias.

Alguns fatores de risco são bem conhecidos. Estes incluem:

 

  • História anterior de filho com diagnóstico de DATN (defeito aberto do tubo neural)

 

  • Uso de medicamento anticonvulsivante (ácido valproico, carbamazepina, etc.).

 

  • Baixo nível socioeconômico.

 

  • Diabetes insulinodependente.

 

  • Uso de medicamento antagonista de folato (metotrexato, sulfonamidas, etc.).

 

  • Obesidade (IMC>35 kg/m2 ).

 

  • Síndromes de má absorção, incluindo aquelas associadas com cirurgias de redução de estomago (bariátricas).

 

  • Exposição a altas temperaturas no início da gravidez (por exemplo, febre alta).

 

  • Raça/etnia (DATN é mais comum entre as mulheres brancas do que entre as negras, e mais comuns entre mulheres hispânicas do que entre as não hispânicas. Verifica-se maior frequência entre as chinesas do norte).

As mulheres com um filho anterior com DATN e aquelas que utilizam anticonvulsivantes são as que apresentam maior risco de ter uma criança afetada em futura gestação.

 

O que diz o Conselho Federal de Medicina sobre o ácido fólico

Entre outras recomendações contidas no documento de RECOMENDAÇÃO CFM ( Conselho Federal de medicina) Nº 2/13,recomenda-se:

 

  1. Que toda mulher que planeja engravidar, ou toda mulher em idade fértil sem método anticoncepcional e que não apresente fatores de risco para Datn, utilize 400 μg (0,4 mg) de ácido fólico sintético, iniciando, no mínimo, 30 dias antes do dia em que planeja engravidar e mantendo sua ingestão durante os três meses iniciais da gestação .

 

  1. Que mulheres em idade reprodutiva sejam orientadas sobre os benefícios da suplementação de ácido fólico sintético durante qualquer consulta ginecológica (por exemplo: no exame anual, na coleta do teste de Papanicolau), especialmente se a gravidez está sendo planejada (III-A).

 

  1. Que mulheres que apresentam fatores de risco, entre eles história prévia de gestação acometida por Datn, recebam a suplementação de ácido fólico sintético na dose de 4.000 μg por dia (4,0 mg), iniciando pelo menos 30 dias antes do dia em que planejam engravidar e mantendo sua ingestão durante os três meses iniciais da gestação. Nesse grupo, seria importante que fosse realizado aconselhamento genético pré-concepcional por médico especializado em genética médica.

 

  1. Que gestantes sejam desencorajadas a utilizar altas doses de ácido fólico sintético por meio de maiores doses de medicamentos polivitamínicos, pois isso poderia promover a sobredosagem de outras vitaminas e/ou macro ou micronutrientes, sendo prejudicial à saúde materno-fetal.

 

  1. Considerando a alta frequência de gestações não planejadas que ocorre no Brasil, o CFM encoraja todos os esforços dos órgãos públicos no sentido de desenvolver programas mais abrangentes de fortificação de alimentos e maior vigilância no seguimento desses programas.

Considerações finais

Fica claro que o ácido fólico é importante para a formação fetal. Ele age positivamente na divisão celular e atua na prevenção  de má formação do tubo neural fetal. No entanto a superdosagem pode trazer riscos importantes e significativos.Esses riscos  podem ser evitados se os médicos seguirem as orientações da CFM e a OMS.

Se você está tentando engravidar ou é gestante, não pare seu ácido fólico, apenas ajuste a dosagem para as 400 mcg (0,4mg ) dia.

Outra informação. Se você faz suplementação com polivitamínico e nele já contém ácido fólico, o uso adicional é desnecessário.

Dica: DTN-Fol é o único no mercado que contém a dosagem adequada e segura de ácido fólico.

Fontes:

CFM

Biolab

Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia )

Ensaio Clínico Randonizado

Emaxhealth

Veja

o globo

 

 

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